Debates

Qual a relação do ECAD com os direitos nas mídias digitais?

Desde alguns anos, época em que se julgava mal quem baixava músicas por torrent, já sabemos que a internet influenciou completamente o modo como se arrecada os direitos autorais. Porém, essa ainda é uma questão aberta — já que as transformações que ocorreram foram muito mais rápidas do que nossa capacidade de entender o que se passa.

O debate sobre essa questão sempre divide muitas opiniões. De um lado, existem aqueles que acreditam que a internet acabou com a forma do compositor trabalhar e de um outro, há quem acredite que a mudança é inevitável e devemos nos adaptar criativamente a elas. O fato é que as transformações estão acontecendo e independente de opiniões é para esse novo mundo que estamos caminhando.

O caso Neil Young

Um exemplo recente ocorreu com o cantor e compositor canadense Neil Young. Há algum tempo ele se posicionou contra os serviços de streaming, por causa da baixa qualidade da transmissão, e chegou até proibir que suas músicas fossem divulgadas por lá. Porém, isso é prejudicial para ambos os lados (tanto artista quanto fã) que se vêem privados de ter essa relação saudável na internet.

Ao perceber isso, o cantor lançará no próximo dia 1 de Dezembro uma plataforma só sua, a XStream, em que divulgará TODOS seus trabalhos de forma gratuita e com altíssima qualidade, sem compressão: “(O arquivo é) um lugar que qualquer pessoa pode visitar e ouvir canções que já lancei em minha carreira com a melhor qualidade possível. É a forma como ele foi pensado. No começo, tudo será de graça.” – afirmou ele.

Preview da Plataforma do Neil Young

O legal dessa postura do cantor canadense é que, ao invés de negar a nova realidade em que vivemos, ele encontrou uma maneira criativa de manter seu trabalho na rede, ainda que ele tivesse algumas objeções para isso. A gente que é fã fica feliz com posturas como essa!

O ECAD e as mídias digitais

O ECAD abriu definitivamente o segmento de “mídias digitais” em Junho de 2010 e só a partir daí começou a lidar um pouco mais de frente com o problema da distribuição na internet. Porém, desde 2008 já realizava alguns tipos de pagamentos menores relativos às mídias digitais.

Uma das grandes dificuldades encontradas são relativas às maneiras de cobrança. Como isso deve ser feito? Por causa disso, hoje isso funciona de forma específica para cada serviço de streaming como Itunes e Youtube. Questões como periodicidade de pagamentos e porcentagem de valores repassados são negociados com cada plataforma em específico.

No caso do Youtube, por exemplo, o acordo é que a plataforma repasse 2,5% de seu faturamento bruto para a distribuição, sendo que o repasse para o compositor é feito SEMESTRALMENTE e de forma proporcional ao número de visualizações em cada vídeo.

Já no caso do Itunes, a Apple exigiu que para a entrada de uma loja virtual da marca no país, deveria haver apenas UM órgão responsável para o recebimento dos direitos autorais. Diferentemente do que acontecia no sistema tradicional do ECAD em que o dinheiro era repassado para as inúmeras agências associadas e só aí transferidas aos artistas. Por causa disso, foi criada a UBEM (União Brasileira de Editoras de Música) que atualmente cuida das negociações com o Itunes e também com a Deezer, Rdio, Nokia e Google.

É importante deixar claro que: ainda que exista a UBEM e outras instituições intermediadoras, é o ECAD o órgão com maior poder para atuar nessas negociações.

Conheça as 4 rubricas aceitas no ECAD atualmente

O que vale atualmente são 4 categorias:

  • Internet Show: shows exibidos de forma simultânea pela internet. Possui distribuição mensal e direitos apenas para o autor;
  • Simulcasting: transmissão simultâneas de rádios AM/FM na internet. Distribuição trimestral e direitos de autor e conexos;
  • Internet Demais: músicas em sites e rádios digitais. Distribuição semestral e direitos para o autor e conexos.
  • Streaming: serviços como Spotify, Deezer e Rdio e possuem distribuição trimestral e direitos apenas para o autor.

Gostou de saber um pouco mais de como funciona a distribuição de direitos autorais na internet?  Possui alguma dúvida? Comenta aqui embaixo!

Padrão
Debates, Empreender na Música

Música autoral e Mercado: aprenda a jogar

Por muito tempo e ainda é assim hoje, separou-se a ideia de compor uma música com o mercado. Ou seja, um grande artista tinha sempre aquele estereótipo de viver de música e de sua arte e não preocupar com as vendas. Mas como isso pode ser sustentável?

Pense com a gente, como é possível realizar o sonho de viver de música sem pensar em como fazer para toná-la sustentável? Como viver de música sem ter muitas pessoas ouvindo o seu trabalho? Isso é impossível.

Precisamos começar a desmistificar a ideia de que a música autoral de qualidade não pode ser vendável, pois se for assim ela perde o seu valor. Sua música tem que ser vendável para que você consiga viver do que ama e você não precisa se vender para isso. 

É verdade, o grande e tradicional mercado é um grande ditador de modas e estilos, porém isso está sendo quebrado com o surgimento das novas mídias e a possibilidade de se fazer uma carreira musical empreendedora através da internet e das possibilidades que ela oferece.

O que deve ficar claro aqui é que NÃO é a possibilidade de vender seu trabalho em um grande mercado o problema, mas sim, o monopólio desse mercado por um pequeno grupo de pessoas que escolhiam o que devia ter maior visibilidade e o que não.

Isso está sendo quebrado e esse processo é maravilhoso. Hoje, as bandas tem a possibilidade de fazer seu trabalho e postá-lo nas mídias sociais e angariar fãs com isso — apenas pelo bom trabalho desenvolvido e sua qualidade musical. Não é preciso intermediadores para fazer sua música chegar até seu fã. Entenda isso de uma vez por todas e comece a fazer a acontecer!

Depois de dito isso, agora temos que entender o que é o valor de uma banda e como você pode calcular isso para conquistas sua base de fãs.

O que é valor?

Você sabe o conceito de valor (valuation)? Esse termo é muito falado no empreendedorismo e basicamente existe para estimar o valor de uma empresa de forma sistematizada. Observe essa revistinha em quadrinhos. Na época em que foi lançada, ela custava 10 centavos de dólares. No ano de 2014, ela foi vendida em um leilão no ebay por R$7,3 milhões de reais. Por que isso acontece? Por que se tornou tão valiosa?

Revista do Superman – 1a edição

Valor é um Jogo

Valor nada mais é do que o resultado de algum esforço científico e/ou artístico que se apresenta a alguém disposto a pagar. Por isso, valor é um jogo e o que vai determinar o quanto de valor que você consegue gerar através de uma criação sua é o quanto você sabe jogar.

Quais são as regras desse jogo?

Basicamente, elas se resumem em 3 (três) regras simples:

  • Tenha algo que seja único, singular, extraordinário, exclusivo.
  • Proteja sua exclusividade através de uma propriedade legalmente constituída (direitos autorais)
  • Estabeleça um preço baseado no tamanho do bolso comprador.

Mas, como conseguir esse valor?

Aprenda a jogar

Primeiramente você tem que entender que no mundo dos negócios, quanto mais valor você coloca em seu produto, mais você tem chances de encontrar alguém disposto a pagar por ele. Vender seus produtos e serviços a preços irrisórios é um grande erro. A lógica é contrária.

No filme da Disney e da Pixar “Procurando Dory”, a personagem principal tem uma frase exemplar “continue a nadar, continue a nadar, continue a nadar”. Ela repete isso diversas vezes durante o filme.  Essa fala ilustra bem as 4 dicas que daremos de COMO APRENDER A JOGAR:

1 – TREINE SEMPRE. Seja o melhor que você consegue.

2 – Acostume-se a ouvir NÃO.

3 – Seu amigo não é seu fã.

4 – Se solte. Se mostre. Por que você existe?

Carreira Musical

A missão do Rock Startup Festival é fazer com que você aprenda e aplique técnicas de empreendedorismo em sua banda, pra ter mais chances, portanto, de fazê-la alavancar. O nosso sonho é acelerar a carreira de sua banda através dessa cultura e fazer com que ela gere muito valor pra vocês e para a sociedade.

Por isso, não dá para pensar em sua carreira musical sem primeiro transformá-la numa EMPRESA. E isso pressupõe um plano de ação. Veja o webinar que realizamos para assistir o passo-a-passo completo.

Calcule o valor da sua banda

Que bom se existisse uma fórmula matemática que garantisse o seu sucesso. Mas infelizmente não tem. O valor da sua banda é você que constrói através, é claro, de muita criatividade, mas principalmente de muito esforço. E esse esforço deve ser esquematizado e planejado para que todo o prazer em fazer música que a sua banda possui não seja desperdiçado e nem se dissipe em situações ruins que acabam sendo geradas por falta de planejamento.

É para isso que existimos: para ajudar você a alavancar a sua carreira musical!

Nós estamos tentando criar o ambiente ideal para que qualquer banda tenha ferramentas e seja livre para conquistar o que desejar. Você vem com a gente?

Tem alguma dúvida sobre o projeto ou gostaria de fazer uma reclamação? Manda um email pra gente: contato@rockstartupfestival.com ou comenta aqui embaixo!

até mais!

Marcela do Rock Startup.

Padrão
Debates

Você sabe o que é Copyleft?

Em nada tem a ver com a briga entre direita x esquerda que acompanhamos na política há tempos. Copyleft é um movimento que surgiu por causa de um trocadilho com Copyright (a lei dos direitos autorais).

Essa ideia nasceu nos anos 80, por causa de programadores que não viam sentido em criações de softwares serem protegidas, pois todos trabalhavam pelas melhorias das ferramentas de informática existentes até então e proteger uma criação de um código, era pior pro desenvolvimento de todos.

Por causa dessa insatisfação, e por acharem difícil questionar o Copyrigth, que o movimento foi criado. Alunos do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) geraram o primeira sistema operacional LIVRE (o GNU), que culminou na criação de sistemas que conhecemos hoje como o LINUX.

Com o passar do tempo, o movimento cresceu e deixou de ser aplicado somente para softwares e se estendeu para outras áreas como: produção científica, jornalística, literária, audiovisual e artística em geral.

Mas como ele funciona na prática?

Na prática, trabalhos com o símbolo do Copyleft, podem ser acessados e citados por qualquer pessoa, desde que ela cite a fonte de origem. Ela possibilita também a total reprodução da obra sem nenhum custo.

O Copyleft é um termo adicional à licença e dá ao usuário os seguintes direitos:

> liberdade para utilização do trabalho;

> liberdade para a realização de pesquisas a respeito;

> liberdade para compartilhamento e cópia;

> liberdade para alteração e distribuições

O debate sobre Propriedade Intelectual

Há muito trabalho de esclarecimento a ser feito sobre essa questão. Todos queremos ser reconhecidos por nossas criações, sejam elas de quais tipos forem. É preciso discutir os prós e contras dessa posição, ver melhor as questões de autoria e integridade da obra, as peculiaridades de cada produção, etc.

Quem é a favor do Copyleft, defende que diferente de uma propriedade como casa, carro e celular, a criação intelectual, ela não deixa quem a criou mais pobre se ele compartilhá-la. Pelo contrário, ao divulgar suas obras de maneira livre, ela poderá ser melhorada, recriada, recontada por outros e todos se beneficiam à longo prazo. Portanto, quem é a favor do Copyleft, considera que uma criação intelectual e/ou artística NÃO é uma propriedade.

O debate é amplo e complexo, mas deve ser construído de maneira comprometida, visto que isso já uma realidade que vivemos: o compartilhamento desenfreado de obras pelas redes. Se você quer entender melhor sobre o cenário da música atual no mundo em rede que vivemos, acesse o nosso último artigo do blog clicando aqui.

O que você pensa sobre Copyleft? Você aceitaria divulgar a sua música de maneira livre de direitos autorais – claro, levando responsabilidade pela autoria dela? Ou você acha que isso não é a melhor saída? Comente aqui embaixo o que você pensa. Vamos discutir a respeito!

Padrão